Uma força especial, vinda do além, presenteará na próxima terça-feira, 3 de fevereiro, o Santa Cruz Futebol Clube. O time completa 95 anos ao som de seu primeiro frevo-de-rua, Vulcão tricolor, criado em 2007 numa parceria entre o Maestro Forró (Orquestra Popular da Bomba do Hemetério) e uma das personalidades mais importantes na história da música de Pernambuco, o maestro Nelson Ferreira. Sim, o compositor dos antológicos frevos Casá, Casá (para o Sport) e Come e dorme (Náutico), já morreu, em 1976. E, na verdade, era tricolor. Partiu sem fazer um frevo-de-rua sequer para o seu time de coração. Uma lacuna que estava aberta na ‘trajetória do futebol musical e carnavalesco’ de Pernambuco. Estava.
Como pode?
Também torcedor coral, Maestro Forró fez Vulcão tricolor sob encomenda. O ‘mandante’ foi o renomado astrólogo Eduardo Maia, que em 2007 homenageou a obra de Nelson Ferreira no jubileu de prata da Academia Castor & Pólix, com o espetáculo Carnaval desceu do céu. “No momento em que narrava no espetáculo a história do futebol de Pernambuco por meio dos frevos de Nelson, ficou sonoramente desproporcional o Náutico e Sport contarem com frevos-de-rua e apenas o Santa Cruz ser representado por um frevo-canção”, conta o astrólogo e diretor do espetáculo, que havia contratado o Maestro Forró para criar os arranjos e a orquestração das músicas de Nelson Ferreira, de acordo com a simbologia zodiacal.
O frevo-canção citado por Eduardo Maia é o Super Campeão, composto e gravado por Nelson Ferreira em 1957, pelo selo Mocambo da extinta gravadora Rozenblit. Mas é um frevo-canção e não um frevo-de-rua, daquele que levanta a poeira, à altura da maior torcida do estado. “Papai dizia que gostava tanto do Santa Cruz que era preciso ter muita inspiração para fazer um frevo rasgado para o clube”, conta o único filho do compositor, Luiz Carlos Ferreira. Segundo ele e, de acordo com a biografia de Nelson Ferreira escrita por Valter Oliveira, faltou apenas que o Santa Cruz fizesse a encomenda a Nelson Ferreira para que o frevo fosse feito. Na frente, correu o Náutico, que pagou muito bem ao compositor pelo Come e dorme. Já o Casá, casá foi encomendado pelo filho do prefeito, rubro-negro, que na época, década de 50, teve inveja do sucesso que fazia o frevo dedicado ao Náutico.
A composição Vulcão tricolorSob total aval de Luiz Carlos Ferreira, Forró aceitou a sugestão de Eduardo Maia para utilizar a introdução de outro frevo-canção de Nelson Ferreira, o Qual será o score, meu bem (1941), onde o maestro demonstra sua paixão pelo futebol. Vulcão tricolor é uma obra de fusão, onde os primeiros acordes são dados por Nelson Ferreira, com novos arranjos e complemento harmônico e melódico do Maestro Forró. O frevo, como os que foram feitos para o Náutico e Sport, é aberto com o grito de torcida. O “Tri-tricolor, tri, tri, tri, tri-color” ainda não havia aparecido em nenhuma composição ao clube. Vulcão tricolor foi gravado pela Orquestra Popular da Bomba do Hemetério.
“Tenho certeza que meu pai está feliz. Esta é a composição que ele sempre quis fazer para o seu time querido”, acentua Luiz Carlos Ferreira. “Não é fácil fazer um frevo-de-rua que se iguale ao padrão de Casá, Casá e Come e Dorme. Maestro Forró conseguiu esse feito, com muita propriedade”, elogia Eduardo Maia, que diz ter visto um brilho nos olhos do Maestro Forró, que aceitou a encomenda como uma missão. “Além do mais, ele tem um ouvido popular. Nasceu e cresceu na Bomba do Hemetério, bairro vizinho ao campo do Arruda”, complementa Maia.